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sucumbindo
ao
poder dos grandes players americanos, fez o México
despertar para a cruel realidade: desemprego e dependência
econômica.
Obviamente não podemos tomar a atitude
pueril de nem querer discutir o assunto, porém,
existem fatos óbvios e contundentes que não
são pautados ou sequer citados nas discussões
preliminares. Um exemplo disso é o caso do aço,
a nossa indústria siderúrgica é mais
moderna e mais competitiva que a industria americana.
No caso de nossa adesão a ALCA, os americanos eliminariam
suas barreiras tarifárias e o nosso aço
entraria alegremente em seu mercado, desbancando o produto
americano. Certo ? Errado. Estrategicamente os E.U.A.
nunca poderão prescindir de sua produção
interna, já que o aço é um componente
vital da indústria bélica e, deixando seu
parque siderúrgico ruir em virtude de importações
livres, sua segurança ficaria seriamente comprometida.
Portanto nessa área não podemos nutrir esperanças.
No setor agrícola, todos sabemos que a agricultura
americana é altamente subsidiada. Da soja ao suco
de laranja produzido na Flórida, os subsídios
e proteções tarifárias são
escandalosos. Nesse setor nossas chances de um acordo
justo também são mínimas. O agricultor
americano tem um lobby fortíssimo em Washington
e nenhum político ousaria enfrenta-los sem correr
o risco de ser inviabilizado eleitoralmente. O fator geopolítico
da segurança alimentar interna, seria outro obstáculo
para a livre entrada de nossos produtos agrícolas
no mercado dos Estados Unidos.
No setor de serviços, o nível de competitividade
das empresas americanas detonaria a estrutura das empresas
brasileiras, alijando-as literalmente do nosso próprio
mercado, exatamente como está acontecendo com as
empresas mexicanas.
Concluindo; pelo porte do nosso mercado e pelo potencial
que ele representa, o melhor para nós será
a formalização de acordos bilaterais de
comércio com o máximo de países possíveis
e tentar compor da melhor forma uma relação
de cooperação e de intercâmbio com
os E.U.A . Somos o único país das Américas
com cacife suficiente para adotarmos um plano B em alternativa
à ALCA, usar de maneira hábil este trunfo
determinará o papel que exerceremos no mundo nos
próximos anos, se de líderes ou subservientes.
* Este artigo foi publicado originalmente no relatório
quinzenal do Observador Macro Econômico, em 05 de
fevereiro de 2003, dez meses antes da reunião de
Miami onde Brasil e Estados Unidos coordenaram a implantação
da ALCA Light. |